Paulinho da Viola – Cochichando (Pixinguinha)

fevereiro 1, 2007. Sem categoria. Deixe um comentário.

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janeiro 22, 2007. Sem categoria. Deixe um comentário.

passo. compasso.

é muito difícil eleger a melhor música, o filme favorito ou seja lá o que for.
acho fácil quando dividimos em categorias e sub-categorias.

qual é a música mais triste sobre saudade? resposta: “pedaço de mim”, do chico.
tá: e a frase mais triste? resposta: “a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu!”
relação legal da palavra em música: “de avião, o tempo de uma saudade”, do gil.

eufemismo total.
leveza.

música boa de saudade: “saudosa maloca” do adoniran.

no final das contas, é uma porra que aperta o peito.
é o que faz um sorriso ficar tortinho e os olhos encherem de lágrimas duma hora proutra….

e de fundo alguém canta:“morena dos olhos d’água, tire os seus olhos do mar…”

janeiro 19, 2007. [atrás da porta]. 1 comentário.

chóro no chôro

paulinhodaviola.jpg (mais…)

janeiro 18, 2007. [causos]. Deixe um comentário.

triálogo fragmentado

homem 1: devagar com a louça que eu conheço a moça!
homem 2: cuide bem do seu amor, seja quem for.
bêbado: quando derem vez ao morro, toda a cidade vai cantar.
bêbado: todo dia ela faz tudo sempre igual com a boca de hortelã.
bêbado: não fiz serenata pra ela e nem cantei uma linda canção.
bêbado: o nosso amor foi embora deixando saudade em alguém.
bêbado: eu falei, eu menti, eu chorei, eu sorri dizendo que ela mora no peito.
bêbado: eu, aflito e só, confuso sem você por aqui.
bêbado: assim eu sonhei, mas isso eu não quis.
homem 1: coisas que a gente se esquece de dizer, frases que o vento vem às vezes me lembrar
homem 2: em volta dessa mesa, existem outras falando tão igual
homem 1: você abusou da regra três. onde menos vale mais
homem 2: tem sempre um dia em que a casa cai
homem 1: mas deixe a lâmpada acesa se algum dia a tristeza quiser entrar, e uma bebida por perto porque você pode estar certo que vai chorar
bêbado: meu tempo às vezes se perde em coisas que não desejo, mas não reparo esse lado, pois meu amor é o mesmo. nos momentos de carinho, eu me desligo de tudo. nos braços de quem se ama é fácil esquecer o mundo.
homem 1: se vê que vai cair, deita de vez, ó nêgo. clareia! clareia!
homem 2: é, madrugada vai ser sereninho.
bêbado: se eu fosse embora de vez, eu levaria tudinho. tudinho.
homem 1: porque fazes sem pensar, aprendeste do olhar e das palavras que eu guardei pra ti
homem 2: nosso crime não compensa. tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice e desta eterna falta do que falar.
bêbado: dou porrada a 3×4 e nem me despenteio porque eu já estou de saco cheio.
homem 1: vento de maio, rainha dos raios de sol. chegou de repente o fim da viagem! agora já não dá mais pra voltar atrás.
homem 2: brotou da força lunar. a pedra, a glória de um deus. dessa pedra gigante vaza um sol.
la gravita levita o que era pó.
bêbado: ouço o que convém.
continua….

janeiro 18, 2007. [conto e ponto], [dor no coto. ao vê-lo]. Deixe um comentário.

ex-groupie existe ou é que nem ex-viado?

anos atrás a dani disse pra lu que elas não eram groupies. pelo menos não no mau sentido…
um tempo depois a lu se deu conta de que sempre foi uma legítima representante da categoria. a dani também, claro!
ambas só se relacionaram com músicos, jornalistas de música, djs, ou profundos conhecedores e/ou apreciadores do assunto.
desde sempre.
era “regra” fundamental.

um dia a lu foi a um show e se deu conta de que já tinha tido algum tipo de relacionamento afetivo com todo mundo. tinha ex-ficante, amante, namorado, marido. tinha ex- tudo ali.
o problema [não se sabe pra quem] é que tanto a lu quanto a dani são brilhantes.
lindas, simpáticas, gostosas, charmosas e “blasés” na medida.

vistas do palco [e não só do palco], dois encantos.

elas conversavam através de letras de música.
assim sendo, seus namorados e amigos falavam a mesma língua.

quantas cartas bonitas de amor elas têm…
quantas trilhas sonoras de romances rápidos e longos…
quantas músicas compostas e dedicadas…

eles [os ex, ainda músicos] nunca as esqueceram.

a lu casou-se [pela segunda vez] com um adEvogado e a dani com um ortodontista.

então… eles têm algumas coletâneas…
um disco do led, um dos paralamas, acústico ou outro da emetevê, unzinho dos beatles e um chico [perfil].

vez ou outra elas aparecem num showzinho aqui, outro acolá.
o adEvogado e o ortodontista ficam em casa.
bebendo, vendo jogo do curíntia e joganto video game.
[pobres homens]

o único intuito é ver gente jovem reunida, por o dedo em V, ficar dançandinho com cabelo ao vento [do ventilador gigante] e olhos fechados.

elas não sentem nada e nada fazem com aqueles rapazes e suas pick-ups todas e aqueles instrumentos todos e aquela poesia toda e aquela música toda e aquela pista toda, e, e, e…

elas estão satisfeitas.
elas são fiéis.
elas são ex-groupies.
e elas nasceram no acre.

[nota do autor: ter que explicar a piada é o fim da picada, mas eu me rendo... o acre não existe. essa é a piada. precisa de mais?? pô!]

janeiro 18, 2007. [conto e ponto]. Deixe um comentário.

5,5

5 e 5 não são.
nunca foram e não deixaram de ser.
tampouco, deixarão.
serão sempre 5,…

janeiro 18, 2007. [correio deselegante]. Deixe um comentário.

sinto cinco ou cinco e sinto

comprei um amplificador pra cantar mais alto nosso amor
pra gritar que no fundo é no breu que encontro o carinho teu
pros lados de cá, dois menos um dão cinco
e se passarem mais 10, digo o que eu sinto
a gente nunca foi o que é, mas é o que não terá fim
porque mais dez foram cinco
e ainda falta eu sinto

mais alto, na geladeira, na gaveta, na dispensa.
na nuca que eu não esqueço nunca.
porque o nosso amor menos um
é cinco vezes o que eu sinto.

janeiro 18, 2007. [cartas de amor]. 1 comentário.

cigarro. cafeína.

o dia começa às 6h.
não, não! às 3h?
mas termina às 3h, então não faz sentido.
é. não faz.
o dia tem 24h, dizem. mas só o dia.
não há noite porque é de noite que descansa-se.
tem a casa pra arrumar, as notas fiscais pra organizar.
os 3 celulares ligados, o notebook que não pode ficar offline nunca
todas as informações do mundo que é preciso saber. é preciso.
e o aniversário da amiga, dos sobrinhos.
a doença do irmão. a tia. a boa aparência.
a tv, que também traz informação.
as contas. o planejamento de fluxo de caixa pessoal.
o contador, os impostos, o iptu, ipva e o planejamento da semana.
o anticoncepcional. cigarro. cafeína.
o vazamento da torneira. a entrega de material pra ação no final de semana.
o briefing. a próxima reunião. a chuva, o alagamento e o trânsito.
médico. cigarro. cafeína.
cuidado para não ser grosseiro com quem não merece.
pressa. fome. sono e dor nas costas.
boa alimentação. muita água. cigarro. cafeína.
dores no corpo e o pagamento da empregada.
os presentes de natal e o telefonema pro pai pra saber se está tudo bem.
exercícios físicos. cigarro. cafeína.
sorrindo, pensando, planejando. não se pode esquecer nada.
o financiamento está alto. a grana faltando.
freelance no final de semana. fazer as unhas. depilação.
cuidar da pele e manter um bom corte de cabelo.
cigarro. cafeína. álcool.
as roupas estão largas e gastas. shopping. compras.
prestações da máquina de lavar. farmácia.
o material de limpeza está acabando. super mercado.
música pra alma. cigarro. cafeína. álcool.
transformar os venenos da mente.
espiritualidade. atenção. carinho.
paciência. cigarro. cafeína.
convívio social. livros e revistas não lidos.
filmes não assistidos. seguro.
cigarro. cafeína. cansaço.

janeiro 18, 2007. [conto e ponto], [tpm]. Deixe um comentário.

anestesia geral

muitas luzes no teto e um incômodo aparador nas costas.
alguns eletrodos colados no corpo e a segunda veia sendo “pega” na mão esquerda.
a primeira veia estourou por inexperiência do moço.
eles chamam a tal veia de [acesso].
primeira injeção = moleza.
lá vem a máscara com o gás que apaga.

blecaute.

hei, mas péra aí! eu tô consciente! não muito, mas tô!
caralho! tô sentindo o bisturi cortanto minha pele!
filhos da puta! me apaguem direito!

obedeceram…. bem, mais ou menos.

abri os olhos. a consciência mediana voltou.
puxei o ar. porra! ainda tô entubada!
escuto: “não é normal acordar assim! desentuba! desentuba!”

cacete! eles estavam falando de uma mangueira entalada na minha traquéia!
sufoquei. sufoquei horrores! tiraram e me apagaram de novo!

acordei na recuperação com aquele moço de olhos azuis que grita:
“ana! tá tudo bem, ana??” – “ana, você está no pós operatório e blá, blá, blá!”

e eu só penso assim: “eu acordei da anestesia geral e odeio que me chamem de ana! é caru! caru! [Ce A Erre U]“

lembro do sufoco [em todos os sentidos].

vou parar de fumar…. parei.

janeiro 18, 2007. [causos]. Deixe um comentário.

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